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Pelo sucesso alcançado, o I Faber mereceu menções especiais da imprensa local: “Festival da Esperança”; “O maior acontecimento cultural do ano”; “FABER, implosão de emoção”, “FABER, o Festival da Saudade”. E pelo que sabemos, ainda merece aquele título de maior festival da América Latina que aconteceu nos anos 1980, conforme relata Luís Carlos Dias, irmão de Chiquinho França. Ou ainda, como no documentário produzido por Timóteo, anos depois, em 2025: Faber, o gigante adormecido.

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Cartaz promocional do lançamento do documentário - Arquivo de internet

O II Faber foi realizado nos dias 4, 5 e 6 de setembro de 1987 e teve 32 músicas finalistas apresentadas nos três dias de evento. A coordenação ficou por conta de Rossivelt Dias, Ernando Timóteo, Edmilson Franco e  Neném Bragança. Foram premiadas: em 1º lugar, Imperador Tocantins, de Carlinhos Veloz; 2º, Asa aberta, de Zeca Tocantins e 3º, Pedra Caída, de Inácio Nóbrega. As atrações nacionais que compareceram às margens do Tocantins foram: Quinteto Violado, Moraes Moreira e Sá e Guarabira. Nesse festival, o show do cantor Moraes Moreira foi feito “quase todo à luz da lua”, devido a problemas no som, porém com o prestígio do público, que foi ao delírio ao ver o autor de Preta pretinha somente com voz e violão, sem microfone, no meio da massa.

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Recortes do jornal O Progresso do dia 10 de setembro de 1987.

O III Faber ocorreu nos dias 2, 3, e 4 de setembro de 1988, com 32 músicas que preencheram os três dias de evento, classificando as três melhores segundo o quadro de júri da época. O 1º lugar ficou com Cantiga para um menestrel, de Chico Aafa; o 2º com Sabor açaí, de Eudes Fraga e o 3º com Abolição, de Luiz Carlos Dias. As atrações nacionais foram Geraldo Azevedo, Pepeu Gomes e Amelinha. Os coordenadores do III Faber foram Neném Bragança, Roosevelt Dias, Marcos Herbst, Edmilson Franco, Clélio Silveira, Edmilson Sanches, Luiz Carlos Oliveira, Tom Andrade, Luiz Brasília e, na presidência da comissão, Pedro Américo Sales.

A partir dessa terceira edição, a coordenação introduziu uma novidade: a prestação de homenagens a personalidades que, em diferentes frentes, ajudaram a erguer os alicerces de Imperatriz. Os primeiros agraciados foram Carlos Lima de Almeida, o próprio idealizador Ernando Farias Timóteo e o prefeito da época, José de Ribamar Fiquene. Personalidades históricas que se tornaram nomes de ruas, estádios e escolas, mas que ali ganhavam vida novamente no aplauso do público, também foram lembrados: o Frei Epifânio D’Abadia, Dorgival Pinheiro de Souza e Souza Lima.

No ano seguinte, 1989, como previsto no calendário da cidade, aconteceu o IV Faber, nos dias 1º, 2 e 3 de setembro de 1989. Mais uma vez, 32 músicas foram escolhidas para o julgamento do júri, que decidiu, em 1º lugar, a canção A viola e eu, de Carlinhos Veloz; 2º com Bailarina, de Eudes Fraga e, em 3º, Bandeira, de Valter Mustafé. O público teve o privilégio de ver ao vivo Zé Ramalho, Gilberto Gil e Moraes Moreira, e as personalidades homenageadas naquela edição foram Guilherme Cortez Moreira, maestro Moisés da Providência Araújo e Fernando Sarney. Urbano Rocha, Abdiel Pereira de Pinho e Inácio Nóbrega, receberam homenagens póstumas. Participaram do IV Faber, como membros da comissão organizadora, Roosevelt Dias, Marcos Herbst, Tom Andrade Luiz Carlos, Edmilson Franco e Neném Bragança. E como presidente da comissão organizadora Carlos Lima de Almeida.

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Recortes do jornal O Progresso, nas datas: 06 de set. de 1988 e 05 de setembro de 1989; Cartaz promocional do V Faber; Luiz Carlos Dias recebe troféu das mãos de Nenen Bragança de 3º lugar no V Faber.

A quinta e última edição do Faber foi realizada nos dias 19, 20 e 21 de setembro de 1991, sob a coordenação os diretores Neném Bragança, Luis Carlos de Oliveira, Tom Andrade, Clélio Silveira e Luiz Brasília. Com 32 músicas finalistas, o júri escolheu 5 classificadas: em 1º lugar ficou Filhos da precisão, de Erasmo Dibell; 2º, América, de Jota Nogueira, de São Luís,  3º, Brincadeira de roda, com Jaqueline, 4º, Noturno fluvial, com o grupo Cheiro do Vale, de Santa Inês e 5º lugar com a música Blues no coração, de Nando Cruz. Além do 2º lugar, a música Brincadeira de roda, com Jaqueline, foi agraciada com a aclamação popular. As atrações nacionais foram Papete, Oswaldo Montenegro e Ed Motta. Já as personalidades homenageadas foram Francisquinho da Farmácia, Davi Alves Silva, Edson Lobão, e os póstumos, Dra. Ruth Aquino Noleto, Zé Guimarães e Pedro Jeremias.

“Para mim só existiu um Faber. Só um, o primeiro. Os outros para mim não existiam. Entendeu? Porque graças a ele que existiam os outros”, acredita Timóteo. Com as mudanças da coordenação do evento, o criador, a partir do segundo Faber, não pôde contribuir como no primeiro, e na entrevista, demonstrou muita tristeza. “Eu fiz o primeiro, eu, Carlos Lima de Almeida, fizemos o primeiro. Já fui chamado para fazer o segundo, para fazer parte da área de segurança, o que que eu tinha a ver com segurança? Mas me colocaram, porque não podiam tirar o cara que criou o Faber. No III Faber tive que comprar ingresso”.

O Festival Aberto Estância do Recreio reuniu em suas cinco edições um público animado, inclusive composto por caravanas de outras cidades, em dias de muita música, natureza e liberdade. Apesar das mudanças e das dificuldades, essa iniciativa contribuiu imensamente para a cultura de Imperatriz, sedimentando uma identidade artística que tenta resistir ao tempo. Até hoje, as lembranças daqueles encontros evocam um clima de nostalgia, revivendo uma época em que a arte era o fôlego da cidade, e que ficou eternizada nas barrancas do Tocantins.

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