Faber: batuque de almas,
melodias de encontros
As histórias e o legado do I Festival Aberto do Balneário Estância do Recreio

Katherine Martins
Janeiro de 2026
Músicas 1º lugar das edições Faber
Aqui celebramos as músicas vencedoras que marcaram a história do Faber, reunindo as composições que conquistaram o primeiro lugar em suas cinco edições. De crônicas sociais a hinos de exaltação à identidade regional, estas canções representam o talento e a resistência artística de nomes como Zeca Tocantins, Carlinhos Veloz, Chico Aafa e Erasmo Dibell. Navegue por esta galeria musical e descubra as obras que capturaram a alma de Imperatriz e se eternizaram como patrimônios sonoros das barrancas do Rio Tocantins.


Depois do tiroteio
Por isso toque toque, toque não me toque
Não me ponha nesse ibope, eu sou do bloco popular
Não me censure de poeta intransigente
Se essa terra e essa gente foi o que aprendi amar
Dizem as más línguas que aqui o tiroteio
Já está ficando feio
Que nem dá pra comentar
Eu tenho paz, tenho amor, tenho aconchego
Em todo mundo a quem eu chego
Há sempre alguém a me esperar
Lá no Terraço, tem o abraço
E na Fly Back, tem brotinhos pra sonhar
E se acaso pinta uma crise de grana
Monto um show de uma semana
Lá no Ferreira Gullar
Por isso toque, toque, toque não me toque
Não me ponha nesse ibope, eu sou do bloco popular
Não me censure de poeta intransigente
Se essa terra e essa gente foi o que aprendi amar
Praça de Fátima me retrata a todo instante
Tomo um gole no Imigrante
Vou pro Bairro da União
E o céu se borda de estrelas cintilantes
E a mãe lua mais brilhante
Que ilumina o meu Torrão
O Tocantins se reveste aí neste espelho
Refletindo branca areias
Pro poeta se inspirar
Sei que essa Terra cheia de tanta beleza
Por certo, Santa Tereza, há de sempre abençoar
Por isso toque.
Imperador Tocantins
Do lado daquela cidade
Existe um rio de eternidade
Amores e barcaças
E barrancas e capins
Tucunaré piau e um matagal que é sem igual
Riacho do cacau a desaguar
No Tocantins
Toca essa água
Toca essa mágoa
Toca e deságua Tocantins
E quando é noite enluarada
A água toda prateada atrai a meninada para
O Tocantins
E tudo então se faz canção às cordas de um violão
Nas mãos de um poeta lá
No Tocantins
E os nobres filhos da princesa
Frutos da mãe natureza cheios
De beleza
Vão pro Tocantins
A tarde cai e o sol se vai
Oh! Deus do céu abençoai
O imperador da Imperatriz
O Tocantins
Tocantins



Cantiga para um menestrel
De acordes feito um trovejar
chovendo gotas de emoção
traçando seu estradar
O poeta no sertão
se dá dolente sem lugar
um raio na imensidão
menestrel do São Joaquim
retratando a precisão
na espera de encontrar
lavrado a luz do luar
em versos de lamentação
seu cantar sem confins
cujo o canto do esperar
é a peleja do peão
de calos nas mãos a clamar
a sorte a vida semear
molhar o chão com suor
chuvas do mesmo mar
outras virão
a trovejar
e a cantiga do estradar
faz esquecer o quinturão
O velho versejar
A viola e eu
Procurei descobrir nesta viola
Algum tom que me faça mais feliz
Pra que eu possa fazer feliz quem chora
Nessas bandas de cá do meu país
E que a banda de lá fique contente
Pra alegrar ainda mais minha canção
Pois pretendo arrancar daquela gente
Todo amor que tiver no coração
Com minha viola eu vou
Com minha viola eu vou
Sempre ela e eu sempre ela e eu
Sempre ela ela e eu vou
Vou querer ver meu povo satisfeito
Tendo a carne arroz e o feijão
Dar ao povo o que é do seu direito
Ver o povo tirar o pé do chão
E pedir pra sumir da terra a fome
E pedir pra surgir na terra a paz
Pra que a dor dessa gente um dia acabe
Mas o amor nessa terra jamais


Filhos da precisão
Pelas marginais
Passarão meninos
Guardando o país
Por quem batem os sinos
Se pelas catedrais
Os filhos da precisão
Pedirão mais por outro destino
Do que por sair da lama
Com pose de dama em carnavais
Esquecerão as dores
Lembrarão de Deus
Num porvir
Que aflore dor




